sábado, 26 de abril de 2014

"Semana do calouro"


 

 

      Acabamos de voltar da viagem para conhecermos as universidades que meu filho passou. Visitamos Columbia, em Nova York, depois fomos a Princeton, New Jersey e cruzamos o país para visitar UC Berkeley, próximo a São Francisco e terminamos na Caltech, próximo a Los Angeles. Não visitamos Duke, pois não tivemos tempo.
   
      Fiquei maraaaaaavilhadaaaaa com todas! Cada universidade é diferente, mas todas são espetaculares!

      Prédios clássicos, antigos, ao lado de laboratórios modernos e equipados. Tudo muito bem cuidado. A estrutura de esportes é fantástica.
       Mas não foi só a estrutura física que me impressionou. O mais incrível é a postura do aluno que estuda lá. Tivemos várias oportunidades de conversar com os alunos. Eles estão lá porque querem aprender.!
      Para ilustrar o que estou falando, por exemplo, na Caltech, eles assinam um "código de ética" sobre não "colar" em prova. Então, o professor entrega ao aluno uma prova de 4 horas de duração e diz que é sem consulta. O aluno deve pegar esta prova, escolher um período de 4 horas seguidas e resolver a prova sem consulta no próprio quarto.

      Dá para imaginar que isso funciona??!!! Com a nossa "mentalidade brasileira" isso é simplesmente um absurdo, não?! Mas, para eles, isso é normal.

      Muitas vezes, aqui no Brasil, a gente vê o aluno estudando demais para o vestibular  mas, ao entrar na faculdade, muitos só querem o diploma. Para isso, vale assinar a lista e colar (mesmo a nível de uma USP, que seria uma das melhores universidades brasileiras).

      Dependendo da universidade que o aluno escolhe, ele pode ter fácil acesso a pesquisas científicas desde o primeiro ano. Nas férias de verão podem desenvolver projetos e ser remunerado por isso. O Summer Undergraduate Research Fellowship - SURF, por exemplo, chega a pagar U$ 6.000, por 10 semanas de projeto.

      Nessas universidades, além deles escolherem quais os cursos que querem fazer, eles têm uma grande assessoria. Em geral, os grupos são pequenos, de até 20 alunos. Quando têm aulas nos grandes anfiteatros para mais de 100 pessoas, em seguida, têm um grupo de discussão em pequeno número. Muitos professores ganharam Prêmio Nobel. Então, eles respiram aprendizado. Todos os alunos valorizam o que podem aprender e se orgulham muito por tudo que conquistam. O aluno tem acesso em determinados horários às salas de qualquer professor (muitas vezes até com prêmio Nobel). Basta ele bater na porta, entrar  e conversar sobre o que quiser.

      Têm outras coisas um tanto quanto "bizarras". Em Berkeley, uma universidade fantástica, que admite 12.000 alunos por ano (sim, é muita gente) existe algo peculiar. Nos dormitórios, onde existem quartos para 1, 2, 3 ou 4 pessoas, os banheiros são no corredor. Os prédios são mistos, com exceção de uns dormitórios da engenharia que podem ser masculino ou feminino. Mas, o mais incrível é que os banheiros também são mistos! Então, tanto a parte do banheiro quanto dos chuveiros podem ser usados simultaneamente por homens e mulheres! ( e o chuveiro é isolado só por cortininha!!!)  ..... aiaiaiaiaiai..... bem, enfim, é melhor nem pensar muito!
      Mas, isso eu vi só em Berkeley. (apesar de que na Caltech, existem banheiros femininos e mistos, mas dizem que, no final, os mistos se tornam basicamente masculinos) Pensando um pouco melhor, quem sabe isso ocorra por causa daqueles que não sabem exatamente a qual sexo pertencem.

      Eles valorizam muito o desenvolvimento de várias atividades extracurriculares. Na Caltech, não se tem nenhuma aula das 16:00 às 19:00 hs ( mas, existem aulas noturnas). Durante esse horário, os alunos desenvolvem seus outros interesses, muitos praticam uma modalidade esportiva, cujo treinamento é das 16:00 às 18:00hs, 5 vezes por semana. Outros, participam de "clubes" de música (fazem grupos para cantar "a capella", ou seja, com as próprias vozes, fazem o fundo musical), clubes de robótica, de línguas, de estudos religiosos, de pintura, de "animê" (aqueles desenhos em quadrinhos japoneses), de vários tipos de comunidades e até de cubo mágico!

      Princeton faz parte da Ivy League, ou seja, uma primeira divisão de esportes. É tudo extremamente elegante, tem alunos de todas as áreas acadêmicas. Você terá uma formação muito ampla e com diversidade. É uma universidade que tem como prioridade o aluno de undergrad (ou seja, é mais voltado para esses primeiros 4 anos de formação do que o grad school, que seria a nossa pós-graduação)
     UAU! O campus é incrível! Fica fácil o acesso de Nova York.  É enorme, prédios muito bonitos, antigos e modernos, além de uma área gigantesca para o esporte. Tem até um imenso estádio de futebol americano  (mas, talvez por ser tão competitiva a nível esportivo, acredito que toda essa estrutura seja mais para os alunos que competem, não tenho certeza). Torcer pelo time da faculdade faz com que os alunos se tornem bastante unidos e literalmente "vistam a camisa" de sua faculdade. Mesmo para quem gosta de praticar algum esporte só que não tem esse nível de competitividade, existe a possibilidade de treinar mesmo sem ser para competir a nível de 1ª divisão.
      Em oposição, Caltech faz parte da terceira divisão (o MIT também), então todos os alunos são estimulados a fazerem parte das equipes esportivas. Eles competem, mas com outras escolas de terceira divisão. Assim, toda a estrutura esportiva é para todos os alunos.
     Algumas universidades são enormes, entram mais de 1000 alunos por ano, Berkley, como já disse, entram 12.000 por ano. Caltech é bem menor, entram apenas 250 alunos por ano. Fala-se muito sobre a proporção de aluno por professor: Caltech é de 3:1, Princeton é 6:1 e Berkeley 17:1.
   
      Nós pudemos participar da "semana do calouro" só em Columbia e Caltech. Em Princeton, fizemos um campus tour para alunos que vão pleitear uma vaga no futuro (ou seja, aqueles que ainda estão analisando para quais escolas vão aplicar), além de jantarmos e visitarmos o campus na companhia de um aluno brasileiro do último ano (que nos acolheu com muito carinho). Em Berkeley, fizemos um campus tour para alunos já aprovados, e um tour nos dormitórios, além de receber um vale para comermos nos restaurantes que os alunos comem (a comida é muito variada, com diversas opções, tipo chinesa, mexicana, vegetariana, sanduíches, pizzas, sobremesas, frutas. Muito bom, derrubando aquele pré-conceito de que comida americana é só hamburger!)

      A grande verdade é que, uma vez aprovado, a faculdade tenta fazer de tudo para que o aluno a escolha. Então, o "jogo" é assim: o aluno escolhe para quais universidades vai aplicar. As universidades recebem milhares de inscrições e selecionam os alunos que elas querem. Cada aluno, em geral é aprovado em mais do que uma universidade, precisando escolher em qual vai estudar. Assim, a universidade tenta proporcionar uma "semana do calouro" incrível para que o aluno que ela aprovou, decida-se por ela.

      Sobre Columbia, vou falar sobre o Egleston Scholar Program para o qual meu filho foi selecionado.
      Quando recebemos a aprovação, e logo após, uma carta que ele tinha sido selecionado para fazer parte deste programa, não sabíamos do que se tratava. Tentamos pesquisar e não encontramos muitas informações. Bem, só para se ter uma idéia, como ele foi convidado a ser parte da Egleston, pagaram a sua passagem aérea de ida e volta, com traslado até a universidade, estadia e alguns passeios inclusos, além de um jantar de gala. Isso mostra o quanto a universidade quer que este aluno estude lá. Eles selecionam apenas cerca de 1% dos alunos que aplicaram para o Columbia Engineering. Esses alunos vão contar com um professor titular que será seu tutor, desde o 1ºano (freshman year), além de U$ 10.000 para pesquisas  e outras regalias! Mas, por mais atraente que a proposta tenha sido, não era exatamente o que meu filho buscava.

      Por isso tudo, diante de tantas possibilidades, realmente fica difícil optar! Na prática, não existe opção errada. Todas essas universidades são fantásticas. Qualquer uma delas oferece oportunidades incríveis. O importante será escolher aquela que se adequa mais ao perfil de cada um, seja por causa do clima, do tamanho, da área que tem mais interesse, se é importante estar em uma cidade grande ou pequena. Enfim, daqui prá frente, é simplesmente saber usufruir da melhor forma as oportunidades que aparecerão.
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Vestibular ou application?

     
      Como conciliar 3º ano do Ensino Médio, vestibular e application?

      Antes de mais nada, é preciso uma auto-análise muito sincera:
      1) qual é o meu sonho mais estratosférico? E qual é o meu sonho realizável?
      2) qual é o meu verdadeiro potencial?
      3) e se eu não alcançar meus sonhos?!

      Apesar de parecer muito óbvio, diante da rotina do terceiro ano do Ensino Médio, o aluno se perde diante de tantas atividades e estudos. Em geral, não fazem um momento de reflexão sobre quais projetos precisará valorizar. É necessário ponderar em uma balança SONHO X REALIDADE, e entender que o grande segredo é estabelecer PRIORIDADES, aprendendo a  dividir o tempo e a dedicação, com sabedoria.

      A meu ver, é importante ajudarmos nossos filhos a se organizarem. Para os jovens, tudo é possível e a "obrigação" deles é sonhar. Se não sonharmos na idade deles, quando poderemos idealizar o futuro?!?
      Porém, precisamos ajudá-los a cair na real. Estabelecer metas para conseguir conciliar todas as atividades. Enfim, ter uma programação.
   
      É muito frequente vermos alunos perdidos em meio a provas, livros, simulados... festas de formatura, viagens, amigos e baladas. Os que pensam em estudar fora, ainda têm que se preocupar com SAT, TOEFL, além de pesquisar para quais universidades aplicar e precisam investir no seu "projeto de vida", sobre o qual falará nos essays.

      Priorizar não significa exclusividade. Se meu foco é estudar fora, vou precisar me dedicar mais ao que as universidades americanas valorizam, porém, jamais esquecendo de que, estudar para o vestibular é uma necessidade. Já ocorreram casos de alunos com um currículo fantástico, que não foram aprovados fora ou não conseguiram uma bolsa suficiente, só que também não passaram no vestibular aqui. Então, aquele aluno fantástico pode acabar muito desmotivado nesse gap year, ano em que precisou "dar um tempo". É extremamente importante pensar em planos B ou C.

      São decisões difíceis, o caminho é deles. Mas, se Deus nos confiou esta missão de criar e educar esse filho, é porque eles precisam de nós! Conversar é mais do que falar, é saber ouvir!!! Ouvir seus sonhos, seus anseios, suas dúvidas, inseguranças e frustrações. No momento certo, agir com autoridade de pais, impondo os limites e expressando opiniões. Não ter vergonha de perguntar e dizer que não sabe, reconhecendo que em muitos aspectos, eles sabem mais que nós.

      Meus 2 filhos optaram por caminhos diferentes. Ele, desde cedo, estava decidido a ir para fora, traçando um caminho que o levou a atingir sua meta.  Ela, até chegou a pensar na possibilidade de estudar fora quando fez um summer camp em Stanford (isso porque qualquer um que tenha a oportunidade de vivenciar uma universidade americana, fica fascinado!) Mas, ao optar por medicina, focou-se inteiramente no vestibular.
      Diga-se de passagem, quem quer fazer medicina, direito ou odontologia, não é recomendável fazer lá fora! Essas carreiras nos Estados Unidos são "pós-graduação". Precisa fazer uma "undergraduation" (graduação) de 4 anos, e aplicar para a "graduation" (mais 4 anos).
       
      Assim, é preciso avaliar os sonhos e o potencial de cada um, individualmente:
1) para alguns alunos é possível pensar em vestibular E/OU application
2) para outros, só vestibular .
3) Em todos os casos, saber que tudo pode NÃO dar certo, e isso não significa FRACASSO.

      Toda a experiência de vida, tudo que estudou, todas as fases pelas quais passou, traduzem-se em maturidade. Só de vivenciar todo esse processo, já é uma grande vitória.
   

   
   
   

 
   

segunda-feira, 31 de março de 2014

Como ajudar nossos filhos?!?!

      UAU! Como é bom receber as notícias das aprovações!!! É muito alívio, é muita felicidade!!!! Sensação de "dever cumprido"...
      Hoje, ao olhar para 1 ano atrás, quando tudo isso estava começando... a escolha de quais universidades aplicar, começar a iniciar processo de tutorias, refletir quais "histórias de vida" contar... vejo quanto caminho foi trilhado.
      Após esse processo de "application", ele (e, também nós, a família), amadurecemos muito! Quantas experiências tão enriquecedoras tivemos! Acho que cada aluno que vai fazer sua autobiografia, também pára para se analisar um pouco e acaba descobrindo um pouco mais de si mesmo. Eu, como mãe, sabia que não conseguiria ajudar tanto... ele sabia muito mais sobre todo esse processo do que eu. Ele conhecia as pessoas  a quem perguntar, e eu não.
      É muito difícil para uma "mãezona" ver que não tem como contribuir diretamente... Só fiz o que sabia fazer, ser mãe e prover o dia-a-dia dele.

      Por outro lado, há 1 ano atrás eu achava que estaria muito mais preparada para ver o "ninho esvaziando"... Quanto mais perto chega o momento da despedida, mais o coração acelera...

      Então, começo a ver um novo ciclo começando... Estou vendo suas "batidas de asas" cada vez mais firme... certa de que ele vai saber se virar... mas, mantendo um ninho sempre quentinho, para quando ele quiser voltar...

      Há momentos também, que o melhor que podemos fazer é não fazer nada! Simplesmente ficar contemplando toda essa transformação. Ele esteve tremendamente bem amparado por pessoas maravilhosas em seu caminho. A assessoria do colégio (Etapa), especialmente na figura do prof Edmilson, foi fundamental nas conquistas ... o Fred, que além de professor foi alguém que o despertou para as grandes possibilidades que tinha dentro da Física e o acompanhou em todo esse processo... o Estudar Fora, que conduziu todas essas fases ... e tantos outros...

      Nosso papel, como família, foi promover condições para que ele pudesse desenvolver todo seu potencial. Acho que, quando Deus inventou de fazer do "filhote humano" um ser totalmente dependente dos pais, foi exatamente para isso... para que cada membro da família sentisse a vitória de cada um como sua também. Dessa forma, todos somos cúmplices das vitórias e derrotas, fortalecendo o amor que nos une e firmando nosso vínculo cada vez mais.

      Aprendi muito até aqui... sei que tenho muito a aprender daqui prá frente...
      Compartilhar esse aprendizado, também me faz refletir sobre tudo que está acontecendo!

      Como ajudá-los? Acho que simplesmente sendo mãe, amando, apoiando, dando colo quando necessário e estimulando-os nos momentos certos... Essa sabedoria é o que mais peço a Deus!

   

terça-feira, 25 de março de 2014

Ninho vazio

      Sempre pensei que estivesse bem preparada para esse momento.
      Achava que lidaria bem com o fato de deixar um filho voar sozinho!
      Mas, agora, que tudo está se tornando um fato real... ah!!! é bem diferente!

      Há momentos, por exemplo, em pleno sacolão, que estou com os olhos se enchendo de lágrimas... Sabe aquele último sorvete delicioso, que a gente lambe todo o palito e o dedo, com gostinho de quero mais?!... Pois é... é assim! ....Ele, já já, vai embora!!!

      Eu sou do tipo "supermãe"... sempre curti muito cada fase deles... desde brincar como criança (ou até mais que eles) quando eles eram pequenos.... a estudar, desafiando-os a fazerem mais pontos do que eu em algum teste... Sempre fui "mãetorista" e também dei muita carona aos amigos... ( e isso para mim, sempre foi muito prazeroso, mesmo lidando com todo o stress do trânsito de São Paulo!)...Posso dizer que aproveitei bem todas as fases de vida deles!!!

      Estou hiperfeliz por todas as conquistas e porque ele conseguiu o que desejava!
   
      Mas eu vou sentir a falta dele!!! Isso é fato!!!
      Será uma nova fase...

          Enfim, essa é a maravilha de ser mãe... a gente sempre está descobrindo novas fronteiras de sentimentos! Se os sentimentos fossem cores, esse momento é uma tempestade de tantas nuances que eu jamais imaginaria existir...
   

terça-feira, 18 de março de 2014

"Decision day" (dia do resultado)

      Nem sei o que é mais difícil, completar todo o processo do "application" ou aguardar os resultados...

      A ansiedade da espera dos resultados (como já escrevi antes) é agonizante...
      A gente sempre acha que vai ser aprovado em todas as universidades... mas, nem tudo acontece como a gente imagina!

      É incrível como uma carta pode trazer tanta emoção! Se vem um "congratulations" (parabéns)... parece que não existe felicidade maior..., mas se vem um "we are sorry..." (sentimos muito...), o mundo desaba!

      ... tudo bem, no dia seguinte, tudo volta ao que era antes... mas a "montanha russa" de emoções libera tanta adrenalina, que a gente fica "esgotada"!

      Hoje já temos alguns resultados e ainda estamos aguardando outros... já sentimos a dor da decepção em ver o "we are sorry..." , mas estamos comemorando as conquistas!!!!... tendo agora, que nos concentrar em qual universidade escolher... outra importante decisão a tomar!

     Para ajudar nesta decisão, as universidades americanas proporcionam o "prefrosh weekend" (fim de semana do calouro). Eles convidam o aluno (e pais) para conhecerem o campus, quando são programadas diversas atividades. O aluno, muitas vezes, pode dormir no próprio dormitório e conhecer a rotina daquela escola.

      Muitas vezes, isso funciona como o "chapéu do Harry Potter" (para quem não sabe, quando o bruxinho entra em Hogwarts School , ele precisa  "ser escolhido" para uma casa onde irá morar. Então, existe um chapéu mágico, que percebe as características do aluno e determina para qual casa ele vai)
     Então, ao visitar a faculdade, conhecer os alunos, a cidade, sentir um "gostinho" de como é se tornar parte daquele mundo, pode ajudar muito na decisão. Como viajar para lá também tem seus custos, é importante saber que, eventualmente, será interessante deixar uma reserva financeira para esse fim.

      Agora o jogo muda... uma vez que o aluno é aprovado, são as universidades que começam a disputá-lo. Então elas fazem de tudo para agradar este aluno e realmente querem que ele vá estudar lá.
      Se o aluno passa em algumas universidades, mas está em dúvida, ou não conhece como elas são, acho extremamente importante visitá-las. Vejo isto como investimento e não como gasto. Como cada universidade tem um perfil diferente, é fundamental que o aluno sinta-se em casa e saiba que lá ele conseguirá atingir tudo que almejou.

      Enfim, são decisões importantes a serem tomadas... e, nós, a família, precisamos nos informar muito para poder ajudá-los.

   

segunda-feira, 10 de março de 2014

Por que estudar fora?

 
     Que diferença faz ao aluno de alto potencial acadêmico estudar em uma excelente faculdade no Brasil ou no Exterior?

     Acredito que no Brasil existem muitas faculdades excelentes. Nossas melhores universidades (tipo USP, ITA, UNICAMP, etc) são reconhecidas internacionalmente e todos seus alunos, ao se formarem, com certeza terão ótimas oportunidades de trabalho. Tenho certeza de que o aluno que se dedica conseguirá uma carreira de sucesso, tendo feito a faculdade aqui ou lá fora.
      Ter a oportunidade de viver sozinho em outro país, adquirir a fluência na língua e ampliar o networking  são fatores que melhoram o currículo, mas isso também se consegue fazendo a faculdade no Brasil e complementando com um intercâmbio ou pós graduação no exterior.

      Então, por que tantos querem fazer a graduação inteira lá?
      De uns tempos para cá, parece até que virou "moda". Quem vai para fora ganha fama, sai na mídia ... Assim, muitos alunos de 13-14 anos, ouvindo essas histórias, começam a alimentar esse sonho.  
      Vale lembrar que essa decisão envolve muitos fatores, entre eles:
- não se recomenda fazer Medicina, Odontologia ou Direito porque serão necessários 8 anos para se formar, ou seja, será necessário fazer uma graduação de 4 anos e aplicar novamente para uma pós graduação nessas áreas.
- quem quer morar sozinho, precisa ter saúde, uma certa autonomia e maturidade.
- mesmo quem consegue uma bolsa, que nem sempre é total, precisa ter alguma reserva financeira para eventuais surpresas.
- para ser aceito em uma faculdade americana é preciso ter um currículo de vida diferenciado. Nos EUA, além do SAT (uma espécie de ENEM), considera-se as notas do Ensino Médio, as atividades extra-curriculares, o perfil de personalidade, as cartas de recomendações, etc.

       Uma grande diferença é que no Brasil, o jovem precisa definir a carreira no momento do vestibular e cada faculdade ainda mantém um modelo de currículo obrigatório, fazendo com que todos os alunos "cumpram" os mesmos cursos até se formar. Nos EUA, o aluno escolhe a universidade que deseja cursar, e, se aprovado, vai escolhendo créditos nas áreas que tem interesse e de acordo com os créditos escolhidos, define sua carreira.
      Em geral, nas  melhores universidades americanas, existe um grande incentivo ao desenvolvimento de projetos, com muitos laboratórios modernos à disposição, além de um sistema de ensino extremamente produtivo, visto que os alunos têm aula com professores extremamente gabaritados, muitas vezes até ganhadores de prêmio Nobel. Contam também com um sistema de tutoria que garante o acesso ao aprendizado. Eles respiram um ambiente em que todos querem produzir. Na verdade, os melhores alunos do mundo inteiro querem estudar nessas universidades. Como consequência elas acabam realmente se tornando "as melhores", justamente porque tem os melhores alunos. Fecha-se esse circulo virtuoso.

      Nos EUA, é muito comum doar-se grandes somas de dinheiro para a universidade em que se estudou. No Brasil, em geral,  as melhores universidades são públicas, ou seja, tornam-se reféns de fatores políticos e não contam com grandes investimentos financeiros. Ultimamente, a nossa "Pátria Educadora" anda bem carente.

      Infelizmente, aqui no Brasil, muitos alunos do Ensino Médio têm como grande meta de vida, apenas passar no vestibular, sendo famosa a frase: "Existem 2 grandes alegrias do universitário: a primeira é quando ele entra na faculdade, a segunda é quando sai". O universitário acaba muito mais envolvido com a vida extra-acadêmica do que com sua oportunidade de crescimento pessoal.

     

quinta-feira, 6 de março de 2014

" Se eu não conseguir, não vai ser porque eu não tentei..."

      O que fazer quando um filho começa a falar que quer estudar fora?
      SE fosse filho dos outros, a gente logo falaria:
         - UAU! que maravilha, tem mais é que ir mesmo!!!

      Mas, quando é nosso filho, milhares de questionamentos contraditórios surgem:
           - será que ele vai conseguir entrar?
           - será que vamos conseguir pagar?
           - será que ele vai conseguir se virar sozinho?
           - será que eu vou conseguir viver sem ele por perto?
           - será que é seguro?
           - será que não é melhor fazer a faculdade aqui e algum intercâmbio no Exterior?

       É claro que também nos enchemos de orgulho, especialmente se acreditamos que ele tem reais possibilidades de conseguir entrar em uma boa faculdade lá fora! Quantas histórias ouvimos de outros pais que ficam contando os feitos de seus filhos que foram "embora".

      Existe um filme da Disney : "Sonhos no Gelo", que fala sobre uma menina brilhante, filha de uma professora, que se preparou a vida inteira para entrar em Harvard. Mas, ela tem um sonho: ser patinadora profissional. Na entrevista de seu processo de "application", ela mostra um trabalho em que usa um programa que analisa como melhorar a performance de um patinador, utilizando conceitos de física. Seu entrevistador, vendo toda a empolgação que ela tem pela patinação, faz uma pergunta: "E, qual a sua paixão por Harvard?". Depois de uma relutância, ela responde: "A minha paixão ?! A minha paixão eu não posso desenvolver aqui.", vira-se e vai embora!
      Então, em um momento do filme, ela sai atrás de uma treinadora pela qual não tem afeição nenhuma, mas que seria sua única possibilidade para poder treinar e obter bons resultados e lhe pede que a treine. A treinadora mostra-se extremamente arisca, diz que será muito difícil, acha que ela não vai conseguir ganhar nada, enfim, não facilita as coisas. Chega uma hora que pergunta porque ela quer tanto treinar!
      Nesse momento, essa menina fala:    
           - Se eu não conseguir, não vai ser porque eu não tentei! 

      O final do filme, é claro que é um final "da Disney", tipo: viveram felizes para sempre! (vale a pena assistir  e, obviamente, chorar!!!! )

            
      Acredito que a pergunta mais importante a fazer para nosso filho é:
         - Você realmente deseja estudar fora?

     Se ele decidir comprar este desafio, que o faça com a plena convicção de que vai precisar se entregar totalmente. Enquanto estiver batalhando para buscar sua vaga, precisará entender que o seu papel é fazer tudo que estiver ao seu alcance. Mas, o resultado? O resultado não dependerá dele, porque tudo o que ele poderia fazer ele já fez. Se não for aceito, ou não puder ir por falta de condições financeiras, não será culpa sua.