quinta-feira, 10 de dezembro de 2015


Ansiedade...
como transmitir um sorriso puro, da mais genuína paz para acalentar nossos filhos aflitos, se dentro de nós há um turbilhão de emoções?!
Nossa ansiedade é mais encorpada, cheia de nuances de aromas emocionais e repleta de sabores das experiências de vida. É preciso um paladar mais apurado para perceber quanto tempo foi preciso esperar para nossa ansiedade ser degustada de forma tão estilosa.
Nós somos o esteio. Em nós eles se firmam.
Não importa o quanto tudo impacta sobre nós, nossa missão é ser um arrimo firme, estável e seguro.
Puxa, nessas horas, bem que Deus podia permitir que a gente desse uma espiadinha lá no futuro, só para a gente se preparar para tudo que virá pela frente, né!
A ansiedade pelas conquistas dos filhos é muito mais angustiante do que tudo o que sentimos na busca pelos nossos próprios desafios.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um barquinho no oceano da vida


Um imenso oceano, cada filho é um barquinho.
Alguns chegarão a terras longínquas, paradisíacas
São poucos que conseguem chegar lá,
mas quem chega, com certeza terá um futuro promissor

Em meio a esse oceano existem inúmeras ilhas,
umas maravilhosas, outras nem tanto
o mar tem suas armadilhas próprias,
tempestades, correntes marítimas, tubarões
mas também sua beleza, brisa e calmaria

Cada barco é feito de uma liga única:
a individualidade de cada um,
estruturada pela sua família e
moldada pela educação
As velas estendidas ao vento das oportunidades são duas:
uma chama-se capacidade (que alguns chamam também de talento)
e a outra chamada de resiliência
Tem hora que é preciso içar a capacidade
e outras, mudar o rumo pela resiliência

Incrível como cada barco segue sua própria rota,
Mesmo saindo do mesmo porto
e feito com a mesma liga
Para alguns, o destino é certo
o caminho é sem desvios
para outros,
bom mesmo é curtir a viagem
Não existe certo ou errado,
nem melhor ou pior
cada um, tem sua própria vida

Nós, os pais, ficamos no porto de origem,
preparamos o barco,
enchemos de provisões
passamos as coordenadas
e esperamos...
Sempre estaremos a postos para ouvir o rádio
e, se preciso for,
a qualquer momento partimos em socorro

Cada filho é único,
cada um tem sua jornada própria
Resta confiar na estabilidade do barco que construímos
na forma como foi equipado,
nas orientações que foram explicadas
e esperar...

Vira e mexe, nosso porto volta a receber em forma de visita,
aquele barco que um dia partiu
Ele sempre voltará diferente,
mas retornará para buscar provisões
Em meio ao mapa da vida, marcamos um "X" bem grande
é lá que tem um grande tesouro guardado
toda fonte de amor e energia que precisarem
somos seus guardiões
na verdade,
estarão eternamente
jorrando de nossos corações.




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Taquicardia





tum ta tum ta tum ta
coração acelerado
literalmente palpitando no peito

um ano todo dedicado
aos estudos, aos exercícios e aulas
Sem mais nada,
sem dormir,
sem se divertir,
sem balada

E NEM assim se tem a certeza,
E NEM assim se pode garantir,
E NEM assim
enfim...


E nossos jovens?
com todo seu potencial e dedicação,
que abriram mão de toda e qualquer diversão.
Mas que ainda sonham,
que desejam um futuro,
que precisam de esperança
Estão a ver um país desestruturado
Estudam tanto e se dedicam,
mas só ouvem papo furado.


Milhares a tentar
Em uma boa universidade entrar
Mas com tão poucas vagas a concorrer
Talento e dedicação estão a se perder

A que se destinam tantas horas investidas em pura revisão?
Que maravilha seria,
Se todo esse foco estivesse canalizado
ao aprendizado de novas matérias, úteis de fato
Aproveitar toda sabedoria e energia
Desses jovens com potencial represado.



Antigamente, as crianças acreditavam
que o Brasil seria o país do futuro
Infelizmente,
atualmente,
o futuro
é obscuro!


tum ta tum ta tum ta
bate forte o coração
o vestibular está a começar,

o que se pode esperar?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Caindo na real...


Não, o mundo não é justo!
Está difícil enxergar um futuro promissor.
Ao redor:
corrupção maquiada com intermináveis termos jurídicos
refugiados sendo tratados como bandidos
doentes sem assistência,
médicos sem estrutura para trabalhar,
remédios baratos sem eficácia,
(finge que toma, quem sabe melhora...)

Trabalhadores sem emprego,
empregadores sem empresa.
Maioria dos alunos sem  boas escolas
professores tentando sobreviver.
Pátria Educadora?!
estamos por merecer

Ensina os filhos que tem que ser bom,
prega a justiça e cidadania
Mostra que colhemos aquilo que plantamos
Sim, tudo uma linda filosofia

Acorda cedo e vai trabalhar,
arruma tempo para brincar com os filhos,
manter a casa em dia, comida na mesa,
estuda com eles
leva para o inglês, natação, futebol ou violão
O corre-corre não pára
mesmo assim, sentimento de culpa existe
Parece que nada é suficiente
A sensação de que falta algo ainda persiste

De que adianta tudo isso?
Estuda, estuda... nem sempre vem a aprovação tão sonhada
trabalha, trabalha... mesmo assim, quantos só acumulam dívidas?
e, por mais que tenham feito tudo certo,
semeou, regou, cuidou, podou...
chega a hora da colheita
e, não colhem nada???

Infelizmente, não tenho palavras de consolação a dizer...
Houve um tempo em que acreditaria
"depois da tempestade vem a bonança"
Mas isso só serve para aqueles que sobrevivem à essa fase ruim
Muitos só vivenciarão a tempestade,
nem por isso têm culpa por não alcançarem a bonança
Seria eu pessimista?
acho que desta vez
estou sendo só realista!

Quem sabe, seja um momento de refletir
como preparar nossos filhos para o Brasil do porvir.
Nada de contos da carochinha
Mesmo para qualquer elite,
os sonhos e o idealismo
precisarão deixar de ser estratosféricos

Haverá muito o que fazer,
a realidade nos próximos anos não será fácil,
quem nasceu com a comodidade da tecnologia
Ver-se-á a matar um leão por dia
Todo o conhecimento e desenvolvimento da ciência
só será válido se vencer pela resiliência.

Vamos cair na real,
O mundo não é justo!









sábado, 26 de setembro de 2015

Qual carreira escolher?



      Para onde vão todos os sonhos e ideais puros de uma criança?
      Em que momento aquela vontade de transformar o mundo se transforma em conformismo?
      Pior, quando ela começa a achar que é normal pisar nos outros para subir na vida?

      Sempre falamos que a criança é egocêntica, a história de "o sol nasceu para mim". Mas isso ocorre simplesmente porque a criança tem um campo de visão muito pequeno. Ela só vê o restrito mundo que a cerca, onde todos estão voltados a atender suas necessidades.
      A medida que ela vai crescendo, ganhando autonomia, ela vai descobrindo um universo que precisa dela, mais do que ela precisa de alguém. É o momento em que ela brinca e fantasia de ser um super-herói para salvar o mundo. Ela sonha sempre com o bem vencendo o mal, e realmente acredita que poderá fazer um bem para a humanidade.
      De repente, na adolescência, começa a conviver com sua "tribo". Talvez um primeiro teste de sobrevivência. Mesmo assim, ao sonhar com sua profissão, idealiza um projeto bom. Ninguém quer ser médico para ferir ou matar, nem um advogado para descobrir como burlar a lei ou um engenheiro para poder destruir o mundo.
   
      Por que, então, grande parte dos adultos age de forma tão egoísta, gananciosa, buscando apenas a vantagem pessoal, chegando muitas vezes a extremos radicais?
      Quando foi que a sua essência se perdeu?

      Por que tantos jovens dedicam-se tanto ao vestibular mas, ao serem aprovados, muitos se decepcionam e desistem? Estariam desistindo do sonho de transformar o mundo do jeito que imaginavam que poderiam ou, simplesmente, começaram a buscar apenas seus próprios interesses pessoais? Porque ninguém precisa gostar de dissecar cadáver para se tornar médico, mas é essencial que aprenda anatomia. Também não é preciso adorar cálculo para projetar uma ponte, mas se não tiver essa noção, muitas vidas podem se perder. Nem é preciso adorar decorar picuinhas de toda a legislação para defender um inocente. No entanto, é necessário uma formação ampla, para construir uma base sólida. Mas, nessa sociedade imediatista, é como se a carreira tivesse que agradar o aluno assim que ele entra na universidade.

      Ao cair na realidade, deparamos com uma sociedade corrupta, onde cada um só pensa em si. Aqui no Brasil, então, com a cultura do "levar vantagem" , a famosa lei de Gérson, os mais bem-sucedidos são os que conseguem ser mais "espertos".
Não me admira tantas pessoas em depressão. Qual o sentido da vida para elas? Muitas não vivem, apenas sobrevivem. Perderam-se os sonhos, desacreditou-se no futuro. Não há mais esperança de poder transformar o mundo. É preciso batalhar muito para conseguir se adaptar ao presente. Todos vestem sua máscara de bem-sucedido e buscam bens materiais para ilustrar a fantasia de que tudo está bem.

      A você, jovem, que está no início de sua carreira: NÃO PERCA SUA ESSÊNCIA. Acredite que pode fazer a diferença na vida de alguém e que o mundo pode ser melhor por sua causa. Não se deixe envolver pela névoa do conformismo, nem mergulhe na ganância do sucesso financeiro. A alegria, o sucesso, a carreira, o dinheiro só virão como consequência das conquistas pessoais. Só assim, você estará bem com você mesmo no futuro, e poderá trazer esta perspectiva de vida aos seus filhos que reiniciarão este ciclo da vida.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sobre as moradias


      CURIOSIDADE:
      Em geral, nas faculdades americanas, no primeiro ano (freshman) é obrigatório que o aluno fique no alojamento dentro do campus, mesmo para o americano que more próximo. Essa convivência faz com que o aluno tenha um convívio e integração muito maior com a comunidade universitária. A maioria dos dormitórios são duplos. Algumas disponibilizam quartos individuais ou para grupos maiores de 3 ou 4 pessoas. 
      Cada universidade tem um estilo próprio de moradia. Existem prédios grandes, prédios pequenos, casas, fraternidades, etc. Tem prédios só masculinos ou só femininos, mas a maioria é misto. Assim, num mesmo corredor têm quartos dos meninos e quarto das meninas (bem, até onde eu sei não existe a possibilidade de se ter um quarto misto!). 
      Dependendo do estilo de cada casa, muitos sempre deixam as portas abertas quando estão no quarto, para que a interação ocorra. 
      Existe todo tipo de vantagem e desvantagem em se ter um roommate (colega de quarto). Aqueles que se dão muito bem e aqueles que sofrem com seu parceiro, sendo que tudo isso também acaba fazendo parte de seu desenvolvimento pessoal.
      Fui conhecer com meu filho algumas das faculdades que ele foi aprovado até ele decidir em qual iria estudar. 
      Então, em plena visita guiada à um dormitório, passa uma menina saindo do banho, com o cabelo pingando e ... simplesmente enrolada na toalha ! (Os banheiros são no corredor)
      Aí, lá vamos nós conhecer os banheiros. Tem banheiros modernos e "limpinhos", mas dependendo da universidade, tem alguns que... bem, melhor não comentar! rsrsrrsrs...
      Agora o que mais me deixou assim, com cara de OHHH!!!!, foi que, em algumas faculdades, esses banheiros são MISTOS!!!!!
      Tanto para o número 1, o número 2 e banho! Naquele estilo de box, um do lado do outro e só uma cortininha isolando!!!!
      UAU! essa juventude...
      Hoje, pensando bem, acho que talvez isso seja assim por causa daqueles que não sabem se vão ao banheiro masculino ou feminino... Sei lá, só sei que esse mundo dos jovens atuais ainda me deixa um pouco perplexa!

Lá vai ele, de volta novamente para a Caltech

      Hoje, após quase 1 mês aqui debaixo da "asinha da mamãe" ele vai embora de novo. Ele mesmo já vinha dizendo que está com saudades de lá. 
      Eu, muito menos angustiada, como quando há 1 ano atrás ele embarcava. 
      O tempo passa rápido demais. 
      É engraçado, ele está igualzinho, mas totalmente diferente. 
      Por mais que ainda seja aquele "filhotinho querido da mamãe", com os mesmos chamegos e dengos, tem atitudes de um homem feito, com decisões firmes.
      Hoje me sinto muito mais segura quanto aos sentimentos e vínculos que nos une. Pode parecer ridículo, mas quando eles saem pela primeira vez do ninho, existe uma pontinha de dúvida se eles não vão acabar "se esquecendo" da gente. Não um esquecer de relação, mas um esquecer daqueles detalhes que só quem é mãe entende: um olhar, um toque, uma risada, uma piada ou brincadeira que mantém um link, como uma chama piloto, sempre acesa dentro de nossos corações.
      Não sei mais quantas vezes ele voltará assim, por tanto tempo e "todinho" para mim. Sei que ele também aproveitou muito e talvez também tenha sido maravilhoso por ter se certificado de suas raízes com os amigos. (sei bem o que é isso, quando estive fora foi o momento que mais valorizei as minhas raízes!)
      Há 1 ano atrás, não imaginava que um dia o levaria ao aeroporto com tanta paz dentro de mim!