Esse é meu grande sonho: ter uma universidade brasileira entre as 20 melhores do mundo.
Imagine um campus enorme, talvez próximo a Campinas ou a São José dos Campos (grandes polos tecnológicos). Um lugar maravilhoso, como se fosse um grande clube de campo. Diversos prédios de moradia, com ótima infra-estrutura. Refeitórios oferecendo boa alimentação. Diversas quadras, campos e piscinas para treinar qualquer tipo de esporte. Uma imensa biblioteca, disponibilizando vários ambientes extremamente aconchegantes para estudar. Grandes anfiteatros e inúmeras salas de aulas. Todo tipo de laboratório e alta tecnologia empregada em todas as salas. Possibilidades de desenvolver qualquer tipo de projeto, com o apoio de grandes empresas. O professor muito bem remunerado e se sentindo valorizado, tendo grande prazer em ensinar. Um centro médico bem equipado, equipes multidisciplinares que acompanharão toda saúde física e mental de cada aluno.
O critério de seleção do aluno será holístico: um bom desempenho no ENEM, mas também todo seu currículo de vida (histórico escolar, atividades extracurriculares, personalidade e ética). Não existirá nenhuma forma de "propina" ou "indicação" para ser admitido.
A universidade até poderá ser paga, mas haverá possibilidades de bolsas de estudo de acordo com a necessidade de cada aluno.
O aluno que for admitido, obrigatoriamente morará no campus no seu primeiro ano de curso. Isso fará com que ele se integre totalmente à universidade. Todos receberão extensa tutoria, visando um ótimo processo de adaptação e orientação acadêmica. Não será necessário optar por uma profissão logo no início da graduação, porque cada um poderá escolher os cursos de acordo com seus interesses e aos poucos irá definindo a carreira que seguirá.
Existirá um código de honra extremamente rígido. Todo aluno, a princípio será totalmente honesto e ético. Quem fugir às regras, será expulso automaticamente.
Qualquer aluno de ensino médio sonhará em entrar nessa universidade, o que se tornará um grande estímulo para que se empenhe em estudar e desenvolver diversas habilidades que o farão merecedor de uma vaga. Não haverá cotas, apenas meritocracia para ser selecionado, entendendo-se por meritocracia a própria história de vida, tudo o que precisou superar para chegar ao ponto de pleitear uma vaga.
................................................
É um sonho muito utópico?
Sim, mas não acho inviável. Temos muitas empresas que se beneficiariam da formação de excelentes profissionais. Elas poderiam contribuir com doações para viabilizar o projeto. Havendo incentivo do governo, acredito que não faltaria verba para um empreendimento como este.
Talvez mais difícil seria mudar a mentalidade sobre o que é uma boa universidade: o que se espera dos alunos, da formação acadêmica, da produção científica, do desenvolvimento de tecnologias, etc.
Temos muitos jovens no Brasil de altíssimo potencial. Grande parte deles já foram estudar fora. Nem todos voltam. Por outro lado, muitos dos que ficam, acabam sendo "sub-aproveitados" e não desenvolvem tudo o que poderiam.
Infelizmente, nossa política tem uma meta muito medíocre (no sentido literal da palavra: mediano, sofrível). Contentamos em não passar fome (bolsa família) e oferecer somente ensino profissionalizante, o PRONATEC. Infelizmente, hoje em dia, nem mais isso! Não se tem nenhuma preocupação com aqueles que podem ir mais longe, ou seja, estamos nos nivelando por baixo. Não existe nenhuma política que se importe com os alunos de alto potencial.
As grandes nações emergentes investiram pesado em educação. Nesses países, os pais acreditam que a melhor herança a se deixar para os filhos é uma boa formação. Todas as crianças se vêm rodeadas de outras crianças que estudam muito. Os bons alunos são valorizados. O sonho dos jovens é estudar em uma boa faculdade.
Aqui, como nossas melhores universidades são públicas, elas ficam à mercê da política de cada governo. Hoje em dia, todas estão carentes de investimento.
Mesmo após vestibulares extenuantes, vemos que os alunos que ingressam nas melhores universidades dizem que têm 2 grandes alegrias: a de entrar na faculdade e a de sair. Quantos desistem no meio do caminho! Muitos participam mais da vida extra-acadêmica (atlética e festas) do que das aulas.
Poderíamos sim, construir uma "universidade padrão". Onde os melhores alunos deste país teriam aulas com os melhores professores e poderiam desenvolver os melhores projetos e pesquisas. (entendendo-se como "melhores", aqueles alunos que se destacaram por qualquer qualidade ou dom que tenham desenvolvido, e não simplesmente aqueles que treinaram muito bem para um resolver um tipo de prova).
A universidade deixaria de ser apenas uma "ponte" para o futuro profissional. O aluno, desde o seu ingresso, já estaria desenvolvendo sua carreira.
Sonho que essa universidade seja a primeira de muitas, que se mude o conceito do que é ser universitário. Que sucessivamente, outras comecem a surgir, e, aos poucos, tenhamos vagas para todos os jovens que desejam tanto ter uma boa formação. É só olhar para o número de alunos em cursinhos preparatórios para o vestibular. Milhares de jovens desejam demais estudar em uma boa universidade!!!
Sinto-me impotente. Gostaria de "bater à porta" de autoridades e pessoas que têm dinheiro para essa empreitada. Mas, ao "cair na real", vejo que somente isso não bastaria. Então, escrevo aqui, como que desabafando, esperando encontrar outros que pensem como eu. Quem sabe, se muitos de nós começarmos a pensar diferente, lá no futuro... algo se transformará!!!
Nem todas de nós somos tão globalizadas... Porém, para nossos filhos, as fronteiras vão muito além do que imaginamos ... Este blog é um bate-papo (ou quem sabe um desabafo) sobre o que é ser mãe de um filho globalizado!!!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Palestra: Quer fazer faculdade nos EUA?
Há algum tempo, fiz uma palestra no Clube Ipê, para quem tinha interesse em saber como é o processo para estudar em uma faculdade americana.
Abordamos 4 perguntas básicas:
- Por que?
- Quem?
- Como?
- Quanto?
1) Por que?
A meu ver, mais do que enumerar as oportunidades incríveis que uma faculdade americana proporciona, acredito que a resposta desta pergunta é muito pessoal. Sugiro que o jovem que pensa em estudar fora, reflita profundamente nas seguintes questões:
- Por que EU quero estudar lá?
- Por que EU quero estudar lá?
- É só lá que alcançarei os meus objetivos?
- Tem que ser agora?
O processo de application exige uma grande reflexão sobre “quem sou e aonde quero chegar”. Só quem tem essas respostas BEM CLARAS saberá escolher onde estudar e poderá apresentar um essay convincente que expresse tudo o que busca.
Lembrar que no Brasil existem excelentes universidades também. Para quem quer adquirir a experiência de estudar fora, é possível fazer a faculdade aqui e cursar um intercâmbio durante sua graduação. Existem intercâmbios mais completos que permitem, inclusive, a obtenção do duplo diploma. Em alguns casos, pode até ser mais vantajoso só fazer a pós-graduação ou MBA no Exterior.
Não vale a pena ir para os EUA nas áreas de Medicina, Direito, Odontologia, Veterinária e algumas outras. Essas carreiras são consideradas pós graduação, ou seja, será necessário fazer 4 anos de graduação (undergraduation), submeter-se a um processo de application mais concorrido ainda para fazer mais 4 anos da profissão escolhida (graduation). A concorrência é muito grande e o custo altíssimo.
A maior diferença entre estudar nos EUA e no Brasil, é que aqui se presta um vestibular de acordo com a carreira escolhida. Nos EUA o aluno aplica para uma universidade, e durante o curso vai escolhendo a carreira com a qual se identifica. Assim, no Brasil, a maioria das faculdades tem uma grade muito "amarrada", sendo que quase todas as matérias são obrigatórias, muito teóricas e, em geral o aluno não consegue se identificar com a carreira, especialmente no início da faculdade. Já nos EUA, o aluno escolhe as matérias que irá cursar. Ele tem um grande leque de opções, além do que, tem até um período de degustação, podendo começar a fazer a matéria, desistir e mudar para outra dentro de um prazo pré-estipulado. Assim, ele consegue cursar o que realmente desperta seu interesse.
2) Quem?
Estudar fora não é para todo mundo.
É preciso saber morar sozinho, saber cuidar da própria saúde e saber curtir a vida e ser feliz, mesmo longe de todos os que sempre foram sua estrutura familiar e social. Não é só porque um aluno tem grande potencial acadêmico que deve estudar fora. Nem todos se sentirão completos e realizados ao morarem sozinhos. Muitos conseguirão um melhor desenvolvimento de suas metas aqui mesmo no Brasil. Também é necessário saber quem arcará com os custos. Se a família não tem recursos, é importante saber se esse aluno é apto a se candidatar a algum tipo de bolsa.
Cada universidade americana tem um perfil diferente e buscam alunos com características específicas. A melhor opção para um aluno, pode ser totalmente diferente para outro. Tudo depende também das preferências pessoais, o chamado “fit”, ou seja, é necessário encontrar a universidade que se encaixa no jeito de ser de cada um.
Harvard e MIT são as mais famosas aqui no Brasil, mas, na realidade, existem inúmeros rankings de classificação e, de acordo com cada critério utilizado, as ditas “melhores faculdades” variam bastante. Entre as top estão as que fazem parte da Ivy League, um grupo de 8 universidades que, inicialmente, foi uma agremiação criada para reunir os times esportivos das universidades da costa leste dos EUA e que hoje em dia se tornou sinônimo de excelência acadêmica e admissão seletiva, formada por 8 universidades: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale. Também são consideradas top: MIT, Stanford, Caltech, UC Berkeley e várias outras. Mas em cada área de interesse existem as que se destacam mais, independentemente da fama que têm.
Existem universidades muito grandes, que admitem mais de 12.000 alunos e outras bem pequenas, que selecionam apenas 250 por ano. A localização pode ser em cidade grande ou pequena, próximas a grandes metrópoles ou à praia, ou até mesmo, longe de tudo. Deve-se analisar se o clima pode influenciar, lembrando que existem cidades muito frias, onde neva muito (para alguns, esse clima frio pode atrapalhar demais na adaptação). Dependendo da universidade, é possível praticar esporte competitivo ou apenas recreativo. Existem inúmeras opções de atividades extra-acadêmicas. Tem algumas com uma grande comunidade brasileira, mas, por outro lado, estudar onde não se tem outros brasileiros pode favorecer uma integração plena com os próprios americanos. Algumas são mais voltadas à pesquisa e outras para o mercado de trabalho.
Para aqueles que praticam algum esporte a nível competitivo, existe também a possibilidade de ser admitido pelo talento esportivo. A cultura americana valoriza muito o esporte. Em geral, as faculdades fazem parte de ligas, sendo a NCAA (National Collegiate Athletic Association) a mais importante. Aqui elas são classificadas em 1ª, 2ª e 3ª divisão. Muitas das universidades de 1ª e 2ª divisão oferecem bolsas para quem pretende praticar o esporte universitário, mas é preciso comprovar ser atleta de alto rendimento, especialmente para ser admitido em uma universidade de 1ª divisão, cujo nível é quase profissional. A 2ª divisão também é extremamente competitiva. O aluno que faz parte dessas equipes treina por cerca de 4 horas diárias, além de competir quase todo final de semana.
Importante salientar que não há correlação entre o nível esportivo e o acadêmico, ou seja, em qualquer divisão esportiva, temos os mais diversos níveis de ranking acadêmico. As universidades que mais oferecem bolsas para esporte universitário, em geral são de 2ª divisão, e, nem sempre são tão fortes academicamente. Mas, em qualquer situação, o aluno sempre será cobrado para ter um bom desempenho nos estudos. Lembrar que por melhor esportista que seja, só será admitido em uma universidade academicamente top, o aluno que tenha um excelente currículo de notas e SAT. Em alguns casos, as melhores universidades no ranking acadêmico não oferecem bolsa pelo esporte, mas seu talento será extremamente valorizado, aumentando as chances de ser admitido.
No site http://www.collegeconfidential.com/ tem-se uma relação das universidades e as características de cada uma. É fundamental pesquisar, pesquisar e pesquisar, seja na internet, conversando com algum aluno/ex-aluno, ou, se possível, até visitando pessoalmente.
Analisando quais as universidades se adequam ao seu perfil, e fazendo uma análise sincera das reais chances de admissão, sugere-se classificá-las em:
- MATCH: quando existe uma boa probabilidade de ser admitido
- REACH: as que são extremamente difíceis de entrar, “the big dream”. Mas, se nem tentar, jamais será admitido.
- SAFETY: quando existe altíssima possibilidade de admissão
Alguns recomendam aplicar para 6 match, 2 reach e 2 safety.
Dessa forma, quem fizer toda essa reflexão, possivelmente será aceito na match. Quem sabe, consiga uma reach, seu sonho impossível. Mas se nada der muito certo, tem a safety garantida.
Portanto, esse é o “jogo”! Quem souber escolher bem para quais universidades aplicar, é muito provável que garantirá sua admissão.
3) Como?
Vou falar agora do processo de "application" propriamente dito. Dentre os itens mais importantes estão:
- SAT ou ACT / TOEFL
- currículo escolar e classificação
- atividades extra-curriculares, essays, história de vida
- cartas de recomendação: professores, diretor, técnicos
- entrevistas
SAT ou ACT / TOEFL:
O SAT é uma espécie de ENEM americano. Ele pode ser feito aqui mesmo no Brasil, sendo disponíveis várias datas no ano. O aluno pode fazer várias provas e enviar apenas a melhor pontuação (mas a universidade tem como saber o desempenho em todas as provas realizadas). A melhor forma de preparação é estudar pelas provas anteriores. Existem muitos simulados na internet e material impresso para treinar. Para se ter uma noção sobre as possibilidades de admissão, deve-se comparar a sua própria pontuação com a média de pontos feitos pela maioria dos alunos aprovados em determinada universidade. Bem, é óbvio que para ser admitido nas top, a pontuação deverá ser extremamente alta. No site que citei acima, http://www.collegeconfidential.com/, existe uma relação onde se encontra a média de pontuação no SAT dos alunos que foram admitidos em cada universidade e no site https://www.collegeboard.org/ tem-se todas as informações sobre o SAT.
Existe uma outra prova chamada ACT. As informações estão no site: http://www.act.org/. As universidades consideram igualmente as duas. Na verdade, cada uma tem um estilo diferente e deve-se optar pela que se tem mais facilidade. No entanto, aqui no Brasil, o SAT é mais conhecido, tendo mais lugares para realizar a prova e, por isso acaba sendo o mais utilizado.
Já o TOEFL é o teste de proficiência em inglês. São vários locais de realização, em várias datas durante o ano. As informações estão no site: https://www.ets.org/pt/toefl
Currículo escolar e classificação:
Um outro dado extremamente valorizado no application é a média de notas do Ensino Médio e sua comparação em relação aos seus pares, ou seja, se o aluno foi o melhor da turma, ou se fez parte dos 5%, 10% , 20% melhores. Esse aspecto é pouco valorizado no Brasil. Tomar cuidado porque alguns excelentes alunos se preocupam apenas com o SAT e as atividades extracurriculares, descuidando-se das notas escolares, especialmente nas matérias que não têm muito interesse, e isso pode diminuir sua média final.
Atividades extracurriculares, essays, história de vida:
Não bastam apenas as classificações. Hoje em dia, a seleção é bastante holística, ou seja valoriza-se muito mais o que cada aluno é ou faz.
Costumo imaginar a seguinte cena: um admission officer lendo milhares de applications. Então ele pega uma pasta e, de repente, ao abri-la, dela começa a se projetar uma imagem holográfica com um brilho gigantesco que o fascina:
- Puxa, olha esse aluno! Olha tudo que ele já fez! Olha tudo que ele tem conquistado. UAU! ele é brilhante!
Partindo-se do princípio de que todos os alunos que aplicam para determinada universidade tenham uma pontuação do SAT e classificação escolar semelhantes, talvez sejam as atividades extracurriculares e a forma como se escreve o essay, o ponto mais impactante no processo de application. Além de enumerar as medalhas em olimpíadas científicas (em geral, as olimpíadas internacionais são as mais valorizadas), algum projeto social ou de empreendedorismo ou alguma descoberta marcante ou pesquisa científica que tenha desenvolvido, o grande segredo é impressionar. Mas não bastam os feitos, é importante transmitir as características pessoais de valores, caráter, “quem você é e aonde quer chegar”, mostrando suas reações e sentimentos diante dos desafios, das vitórias, das derrotas e das frustrações.
Costumo dizer:
- Reflita um pouco e analise o que faz de você uma pessoa brilhante, tão brilhante que faça uma universidade desejar que você faça parte dela. Que a faça querer investir na sua formação te capacitando a fazer a diferença no mundo. O segredo é mostrar o quanto você é bom e demonstrar seu potencial de transformação, seja de si próprio, daqueles que vivem ao seu redor ou da sociedade como um todo. Transmita que tudo que você faz é com grande paixão. Que você sonha grande e não desiste. Não importa o quanto precise batalhar, você não esmorece. Prove que não se cansa, e mesmo que tropece, você é capaz de se reerguer. Quando você mostra essa história de vida, o jogo vira. Diversas universidades começam a te disputar. Algumas até oferecem oportunidades incríveis através de bolsa ou regalias. São as universidades que querem ter o privilégio de ter você como aluno. E, ao final, é você quem vai poder escolher onde irá estudar!
Puxa, maravilhoso,não?! Assim até parece fácil! Está revelado o segredo: é só ter uma história de vida impressionante e saber como contar!
Cartas de recomendação: professores, diretor, técnicos:
Bem, quanto às cartas de recomendação dos professores e do diretor, a maior dificuldade é saber a quem pedir para escrever. Estas cartas precisam ser coerentes com tudo aquilo que foi apresentado no essay. A universidade quer saber como o professor enxerga esse aluno e quais são as impressões não só sobre a vida acadêmica, mas também como esse aluno age e pensa. Eles estão buscando conhecer através do olhar de outro educador se o aluno vai se adequar ao perfil da universidade. Essa carta precisará descrever impressões pessoais e analisar fatos cotidianos que demonstrem os valores ou posturas diante de determinadas situações. No caso de quem tenta o esporte universitário, será necessário acrescentar vídeos e recomendações de técnicos.
Aqui no Brasil são poucos os professores que sabem como escrever uma carta desse tipo. Existem escolas que já têm a experiência em mandar seus alunos para fora, então muitos professores já estão habituados. Nos casos em que isso não ocorre, é preciso conversar muito com os professores para que eles entendam como escrever. Em geral são solicitadas 2 cartas de professores e 1 do diretor. O recomendado é que o aluno não tenha acesso ao que foi escrito.
Entrevistas:
Algumas universidades solicitam uma entrevista a todos, outras solicitam apenas aos alunos por quem têm mais interesse. Elas podem ocorrer por telefone, por skype ou por algum ex-aluno aqui mesmo no Brasil. Após um bate-papo de cerca de 1 hora, o entrevistador envia um relatório sobre a impressão que teve ao conversar com o candidato. Costuma-se dizer que ninguém é reprovado por causa da entrevista, mas ela pode ajudar a contabilizar pontos para que seja admitido. É uma grande oportunidade para se mostrar tudo que já fez e expor suas paixões e anseios para estudar naquela universidade. Se for uma entrevista pessoal, recomenda-se cuidar da sua aparência e levar uma pasta organizada com certificados, fotos, medalhas, etc.
4) Quanto?
Estudar em uma faculdade americana pode custar, por ano, entre U$ 20,000 - 25,000 até U$ 50,000 - 60,000 (já incluindo anuidade, moradia, alimentação, seguro saúde e alguns outros gastos básicos). Uma boa universidade custa em média U$ 40,000 a 50,000. As top chegam a U$ 60,000. E, em geral, são 4 anos de duração.
Existem 2 tipos de bolsas que as próprias universidades concedem:
- merit based (por mérito): esportivo, acadêmico, artístico…
- need based (por necessidade). Em geral, são somente as top acadêmicas que concedem bolsas por necessidade. No entanto, dependendo da universidade, solicitar a bolsa pode dificultar as possibilidades de admissão. Assim, elas se subdividem em:
- need blind: não influencia nas chances de admissão
- need aware: eventualmente, pode diminuir sua chance de admissão.
O critério de necessidade é avaliado após o envio de um formulário onde se apresenta dados do imposto de renda e custos que a família tem. A universidade é que qualifica qual o valor de bolsa a ser oferecida. Em alguns casos, esse valor pode até ser negociado.
Algumas instituições, tipo FUNDAÇÃO ESTUDAR, ou outras organizações também oferecem bolsas. Também é possível trabalhar nas universidades, seja na cozinha, nos escritórios, em projetos de pesquisa remunerados ou como teacher assistant (auxiliar do professor). Existem vários outros tipos de bolsas específicas que uma ou outra universidade concede. É preciso pesquisar sempre para saber quais oportunidades surgem. Algumas oferecem bolsas parciais a todos estrangeiros ou pode haver algum tipo de seleção específica para concorrer a bolsas. Mas, na verdade, a maioria precisará é de "PAITROCÍNIO".
Para entender melhor, o raciocínio é o seguinte:
Para quem é um "fenômeno acadêmico" e for aprovado em uma top:
- se comprovar que não tem como pagar, provavelmente conseguirá bolsa total
- quem provar que precisa apenas de bolsa parcial, receberá bolsa parcial
- quem não conseguir comprovar necessidade de bolsa, pagará integralmente
Para quem é muito bom no esporte:
- Poderá cogitar a bolsa como atleta universitário (lembrar que a maioria consegue bolsa de 50%, mas tem faculdades não tão renomadas, cuja anuidade chega a apenas U$ 20,000-25,000. Assim, o custo fica semelhante ao de faculdades particulares no Brasil).
Outros:
- Se apresentar um bom application, possivelmente será aceito em algumas universidades, só que é bem provável que não receberá bolsa. Nesses casos precisará mesmo é de “paitrocínio”.
CONCLUSÃO:
Todo o processo de application é extremamente desgastante. Quem realmente se decidir por aplicar, precisará se dedicar demais, porém deve estar preparado para receber um “NÃO”. A maioria também se prepara para os vestibulares e ENEM, como um “plano B”, caso não seja aprovado em nenhuma universidade fora ou se a bolsa for insuficiente para cobrir os custos.
Pois é, mas algumas vezes nada dá certo e o aluno se sente frustrado. Pode ser que não tenha sido aprovado em nenhuma no Exterior, ou a bolsa foi insuficiente e também não tenha passado em nenhuma faculdade no Brasil.
Então vou contar um segredo: nesses casos, pode-se usar uma palavra “chique” para definir o que vai fazer no ano seguinte: GAP YEAR.
Hehehehehh… Brincadeiras a parte, muitos transformaram seu gap year em uma das fases mais importantes de suas vidas, quando amadureceram suas metas de vida e redimensionaram a importância de suas decisões. Tem quem opte por se preparar melhor para o vestibular no Brasil e também os que utilizam este tempo para realizarem projetos novos, preparando-se para aplicar para fora mais uma vez..
Só quem sonha grande se lança a grandes empreitadas. Mas é preciso imensa dedicação. Não basta ser bom aluno. Uma vez, alguém já disse que sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho, mas acredito que só quem persiste e batalha muito é que conquista seu sonho, e, às vezes, sonho grande dá mais trabalho ainda!!! O processo é extremamente longo e não dá nenhuma certeza de resultados. Não basta ousar sonhar. É preciso se lançar ao desafio com paixão, apostando todas as fichas, sem ter a mínima garantia de que tudo dará certo. A cada ano, mais alunos conquistam suas vagas, comprovando que nada é impossível! No entanto, o número de alunos que aplicam aumenta progressivamente, levando a uma concorrência ainda mais acirrada.
Nem todos que se dedicam tremendamente são aprovados, mas todos os que são aprovados se dedicaram tremendamente.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Faculdade no Brasil ou nos EUA?
Vivemos uma fase de desesperança neste país, dia-a-dia, só se descobre mais corrupção e escândalos. O pior, é que sabemos que tudo que está vindo à tona, é só a ponta do iceberg. Tem hora, que a gente acha que é melhor "fugir" daqui!
Temos 2 filhos, que estão no início da jornada de suas vidas. Escolhendo suas carreiras e vislumbrando qual o futuro pelo qual vão lutar.
Meu filho, desde os 13 anos, optou por fazer faculdade nos EUA. Minha filha, devido a carreira que quer seguir (medicina) decidiu fazer a faculdade no Brasil.
O que aconselhar aos filhos? Como os orientei até eles tomarem suas decisões? Meus conselhos e opiniões influenciaram suas decisões? Eles estão no caminho certo?
Pois bem, fazer a faculdade aqui ou fora?
Em primeiro lugar, não vale a pena ir para os EUA para as áreas de Medicina, Direito, Odontologia, Veterinária. Essas carreiras são consideradas pós graduação, ou seja, será necessário fazer 4 anos de graduação (undergrad), submeter-se a um processo de application mais concorrido ainda para fazer mais 4 anos da profissão escolhida (grad). A concorrência é muito grande e o custo altíssimo.
Mas, em se tratando de áreas de Exatas, lá chamadas de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) ou Humanas, que se enquadrariam nas Liberal Arts, tudo dependerá de uma série de fatores. Vou falar de uma maneira bem genérica, mas que talvez elucide um pouco sobre porque temos a sensação de que quem estuda fora tem mais "sucesso".
1) A maior diferença é que no Brasil presta-se um vestibular de acordo com a carreira escolhida. Nos EUA o aluno aplica para uma universidade, e durante o curso vai escolhendo a carreira com a qual se identifica. Assim, no Brasil, a maioria das faculdades têm uma grade muito "amarrada", sendo que as matérias são obrigatórias, muito teóricas e, em geral o aluno não consegue se identificar com a carreira. Já nos EUA, o aluno escolhe as matérias que irá cursar. Ele tem um grande leque de opções, além do que, tem até um período de degustação, podendo começar a fazer a matéria, desistir e mudar para outra dentro de um prazo pré-estipulado. Assim, ele consegue cursar o que desperta seu interesse. Lembrar que nas áreas de STEM, essas escolhas não são tão aleatórias, eles têm um "core" (núcleo) que precisam cumprir em cada semestre, dependendo da "major" (carreira) que optarem. A maioria dos alunos só precisará definir suas "majors" no final do 1º ou 2º ano.
2) Os essays (redações) do processo de application são muito pessoais. Para escrevê-lo, o aluno precisa fazer uma grande reflexão sobre si mesmo, sobre o que quer da vida e o que vai buscar naquela universidade especificamente. Isso faz com que ele reflita e amadureça. Nos EUA todas as universidades são pagas. O aluno pode até ganhar uma bolsa, mas ele tem uma noção exata do custo dela. Mesmo que ganhe uma bolsa, estudar fora implica em um desafio enorme: de sair do país, desenvolver autonomia, conquistar novos amigos, viver longe da família, falar outra língua, etc. Isso significa que, ao optar por estudar fora, o aluno precisou ponderar muito e sua decisão implica em sair de sua zona de conforto, além do que, precisa conseguir arcar com os custos, refletir no quanto isso pesará para sua família, etc. Se mesmo assim optou por estudar fora, ele já fez uma grande auto-análise e considerações.
Já o vestibular é massacrante. O aluno que quer entrar em uma boa faculdade aqui, abre mão de toda sua vida social para se preparar para a prova. Estuda e repete os mesmos exercícios, vira uma "máquina" de acertar as respostas, buscando entrar em uma escola pública, por ser a melhor e gratuita. Ao entrar na faculdade, ele sente que, finalmente pode aproveitar a vida ao máximo, seja indo para festas, curtindo a liberdade e os amigos e, em geral, sem a "pegação no pé" dos pais. Existe um conceito errôneo da faculdade "de graça": para muitos, sua postura seria um pouco diferente se tivesse que pagar a mensalidade, ou se soubesse seu verdadeiro custo (alguém sempre paga). Os que continuam na casa dos pais, têm uma grande mordomia, e talvez, não precisem ganhar tanta maturidade de vida. Assim não se preocupam tanto com sua carreira, vivem mais o momento.
3) Vivemos um momento de inúmeras greves e falta de recursos para a Educação. Professores, funcionários e alunos descontentes, laboratórios e pesquisas sem recursos, escândalos nas universidades, denúncias de estupro. Tudo contribuindo para um ambiente de pouco estímulo aos estudos.
Como se isso não bastasse,vivemos em um país, cujo princípio básico de crescimento profissional não é a meritocracia. De que vale tanta dedicação à faculdade? Respiramos a corrupção. Esses jovens crescem com a sensação de que quem se dá melhor na vida é o mais "espertinho". Tudo é uma questão de indicação e não de mérito.
Talvez por isso, dá a sensação de que quem faz faculdade no Brasil busca apenas conseguir um diploma, por outro lado, quem vai prá fora, começa desde cedo a construir sua carreira para o futuro.
Talvez, se o aluno que opta por fazer a faculdade aqui no Brasil fizer toda essa auto-análise, ponderando os sacrifícios, tentando descobrir suas preferências e aptidões, também aproveitaria amplamente suas oportunidades. Na prática, eu diria que o jovem que estuda fora, amadurece mais cedo, domina melhor outras línguas, aprende a conviver com culturas diferentes e vivencia desafios não só acadêmicos, fazendo-o compreender melhor o conceito da globalização. Para muitas empresas, esse é um grande diferencial na hora da contratação.
Importante ressaltar que as experiências de se estudar fora podem ser obtidas mesmo não se fazendo a graduação inteira fora. Existem muitos intercâmbios que, se bem aproveitados, podem trazer o mesmo nível de aproveitamento.
Vejo muitos alunos com esse dilema. Gostariam de estudar fora, mas talvez não consigam passar ou não obtenham a bolsa necessária para tanto. Acabam sem saber se se dedicam ao vestibular ou se capricham nos applications e, muitas vezes, acabam não desenvolvendo bem nenhuma das duas opções.
Ah, como eu adoraria ter uma bola de cristal!!!!
Mas, a gente só conhece o caminho ao passar por ele.
As pessoas de maior sucesso na vida não são as que sempre fizeram as melhores escolhas, mas aquelas que fizeram dar certo as escolhas feitas!
Assinar:
Postagens (Atom)

